Alcolumbre defende tramitação e debate aprofundado para a PEC do fim da escala 6×1 no Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6×1 **precisa passar por um processo de aprimoramento** no Senado. Ele indicou que o texto, vindo da Câmara dos Deputados, deve ser debatido nas comissões da Casa antes de qualquer votação.
A declaração surge após questionamentos sobre a previsão de votação da matéria, demonstrando a intenção de Alcolumbre em garantir um **debate mais robusto e inclusivo**. O senador ressaltou a importância de ouvir todos os setores da sociedade antes de tomar uma decisão sobre um tema tão relevante.
“Tenho certeza absoluta de que assim como outros senadores, que pensam como eu, seria muito razoável se o Senado pudesse melhorar um texto com essa importância, se os senadores pudessem debater um assunto dessa envergadura com calma”, afirmou Alcolumbre, enfatizando seu compromisso com o **debate democrático**.
Senado busca “melhorar” texto da Câmara sobre a escala 6×1
Davi Alcolumbre expressou a necessidade de que a PEC do fim da 6×1 **não seja apenas “carimbada”** pelo Senado, mas sim aprimorada. Ele criticou a pressão por análises rápidas, como a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, defendendo que a Câmara dos Deputados dedicou cinco meses à discussão do tema e o Senado não deve ser obrigado a aprovar o texto sem a devida análise.
“Não é razoável que a Câmara dos Deputados passe cinco meses debatendo um assunto muito relevante para o Brasil, para o povo brasileiro, para a nação e também para os trabalhadores e para os empreendedores, e o Senado seja obrigado a carimbar um texto aprovado na Câmara”, ressaltou o presidente do Senado.
Debate “sem pressa” e ouvindo a sociedade
O presidente do Senado defende que a PEC do fim da 6×1 seja votada **”sem pressa”**, permitindo que todos os setores da sociedade sejam ouvidos. A definição do processo de tramitação ocorrerá após uma reunião de líderes na próxima semana. Alcolumbre se posicionou **”a favor do debate”**, e não a favor ou contra a PEC em si.
A expectativa é que o texto passe, no mínimo, por uma comissão. A tramitação inicial deve ocorrer pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), sob a presidência do senador Otto Alencar (PSD-BA). O relator da PEC ainda não foi definido.
Polarização e alternativas na tramitação da PEC
Lideranças governistas têm defendido a apreciação da PEC ainda em junho, sem alterações, para evitar que o texto retorne à Câmara. Por outro lado, a oposição apresentou uma PEC alternativa para manter a jornada de trabalho atual, com a possibilidade de contratos por hora. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), é contrário à redução da jornada de trabalho no Brasil.
Alcolumbre também comentou sobre a influência de anos eleitorais nas votações, sugerindo que “muitas vezes, o que é razoável não pode vir à tona por causa da eleição”. A declaração abre margem para a discussão sobre a **influência política** nas decisões legislativas que afetam diretamente a vida dos trabalhadores e empregadores.


