Lula promete vetar projeto que flexibiliza regras eleitorais e libera envio em massa de mensagens
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que vetará o projeto de lei da minirreforma eleitoral, aprovado recentemente pela Câmara dos Deputados. A proposta, que tem gerado críticas de diversas entidades da sociedade civil, flexibiliza regras de prestação de contas de partidos e autoriza o envio de mensagens em massa para eleitores previamente cadastrados, o que preocupa o governo.
Em entrevista à TV Brasil, Lula expressou sua preocupação com o uso da inteligência artificial (IA) nas eleições, considerando a tecnologia um risco para a democracia. Ele afirmou que, embora a IA tenha diversas aplicações, seu uso na disputa eleitoral para escolher representantes é inaceitável e que o projeto aprovado na Câmara pode fomentar o uso de robôs.
“Eu certamente vetarei. Primeiro, vou trabalhar para o Senado não aprovar, e depois eu vetarei”, declarou o presidente, reforçando sua posição contra a medida que pode ampliar a disseminação de conteúdo em massa com menor controle. A declaração foi dada ao vivo durante o programa Sem Censura, nesta sexta-feira (22).
Críticas ao envio em massa e uso de IA em eleições
O ponto específico do projeto que permite o envio de mensagens automatizadas a eleitores previamente cadastrados, sem ser considerado irregular, é um dos principais focos de crítica. Para especialistas e o presidente, essa flexibilização pode abrir portas para o uso indiscriminado de ferramentas digitais, especialmente na propagação de desinformação e fake news durante os períodos eleitorais.
Lula destacou que a inteligência artificial, embora útil em muitos campos, não deve ser permitida na esfera eleitoral. Ele argumenta que isso representa um perigo para a lisura do processo democrático, ao possibilitar a manipulação em larga escala e a influência indevida sobre o eleitorado.
Fundo eleitoral e promiscuidade na política
Além da questão do envio em massa de mensagens, o presidente Lula também aproveitou a entrevista para criticar a concentração de vultosos recursos públicos nas mãos de parlamentares e partidos, por meio dos fundos eleitoral e partidário, e emendas. Ele expressou sua visão de que essa prática levou à “promiscuidade na política”.
“Eu era favorável a fundo partidário, a fundo eleitoral, hoje eu sou contra, porque levou à promiscuidade na política. Um deputado hoje tem R$ 50 milhões, R$ 60 milhões de emendas por ano”, pontuou o presidente, defendendo uma reflexão sobre o financiamento de campanhas e a atuação política.
Polarização e violência política no cenário atual
Questionado sobre as diferenças entre o cenário político atual e seus mandatos anteriores, Lula abordou o impacto do extremismo e da polarização no ambiente político, tanto no Brasil quanto globalmente. Ele citou o exemplo dos Estados Unidos, onde a divisão entre democratas e republicanos se intensificou significativamente nas últimas décadas.
O presidente lamentou a crescente polarização e a perda do humanismo, atribuindo parte do problema à influência dos algoritmos das redes sociais. “Eu não quero perder o humanismo que tem dentro do ser humano, porque estamos sendo vítimas dos algoritmos”, disse. Lula defendeu a necessidade de repensar a forma como as redes sociais e seus algoritmos interferem na organização social e no debate público.
Entrevista com participação de influenciadores
A entrevista exclusiva de Lula ao programa Sem Censura contou com a participação da influenciadora digital Nath Finanças, da jornalista Luciana Barreto, âncora do telejornal Repórter Brasil Tarde, e do influenciador Muka. A conversa abordou diversos temas relevantes para o debate público e a conjuntura política brasileira.


