Lula defende o Pix e critica postura dos EUA em evento em Catalão (GO)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em evento na cidade de Catalão, em Goiás, nesta terça-feira (2), defendeu o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, classificando-o como superior aos sistemas oferecidos por empresas americanas. Lula enfatizou as vantagens da tecnologia nacional e declarou que o Brasil não aceitará ser tratado como uma “republiqueta de banana”, em referência à postura dos Estados Unidos.
A declaração do presidente surge após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) ter criticado o Pix. O órgão argumentou que o sistema, criado pelo Banco Central do Brasil, prejudica “injustamente” empresas como a MasterCard, Visa e o Whatsapp Pay. O Pix, com sua infraestrutura pública e gratuita, tem se destacado, movimentando mais recursos do que as tradicionais bandeiras de cartões de crédito.
“O Pix assusta eles”, afirmou Lula, revelando que chegou a sugerir ao então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a adoção de um sistema semelhante no país norte-americano. A preocupação americana, segundo o presidente, reside no potencial do Pix de abalar significativamente as operações de suas empresas de cartão de crédito no Brasil, uma vez que o sistema nacional é gratuito e público, simplificando as transações financeiras.
Relatório do USTR e Acusações de “Práticas Desleais”
O relatório do USTR, divulgado na noite de segunda-feira (1º), é fruto de uma investigação iniciada há um ano durante o governo de Donald Trump. A investigação visava apurar supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA. Entre as ações sugeridas pelo relatório, está a imposição de uma taxa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. O governo brasileiro e as empresas afetadas terão até 15 de julho para se manifestar sobre o relatório final, antes que os EUA decidam sobre a adoção de “medidas corretivas” contra o Brasil.
Lula Cobra Explicações e Lembra Acordo Comercial
Para Lula, a atitude dos Estados Unidos é intempestiva, especialmente porque existia uma negociação em andamento entre os dois países. Ele relembrou que, em maio, havia acordado com o presidente Donald Trump um prazo de 30 dias para a busca de um acordo sobre a questão comercial. Na ocasião, em reunião na Casa Branca, o presidente brasileiro apresentou documentos que demonstravam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil, destacando um superávit comercial americano de US$ 415 bilhões nos últimos 15 anos.
O presidente brasileiro cobrou um telefonema de Trump para que explicasse as razões por trás da recomendação do USTR. Lula declarou que esperava um contato para entender o que aconteceu durante a ausência de ambos na negociação, enfatizando que o acordo proposto não poderia ter a anuência de Trump.
O Sucesso do Pix no Brasil e o Impacto nos Negócios Internacionais
O Pix, lançado pelo Banco Central em novembro de 2020, revolucionou os pagamentos no Brasil. Sua gratuidade para pessoas físicas e o baixo custo para empresas, aliado à rapidez e conveniência, impulsionaram sua adoção em larga escala. O sistema tem sido fundamental para a inclusão financeira e para a redução de custos de transações, impactando diretamente o modelo de negócios de grandes operadoras de cartões de crédito e empresas de tecnologia que atuam no país.
A força do Pix é inegável, com milhões de transações diárias movimentando bilhões de reais. Essa performance robusta é vista pelo governo brasileiro como um exemplo de inovação e soberania tecnológica, capaz de competir e superar soluções estrangeiras. A crítica do USTR evidencia a preocupação de players internacionais com a consolidação de um ecossistema financeiro nacional forte e independente.


