CPI do Crime Organizado avança e convoca Ibaneis Rocha, Cláudio Castro e Roberto Campos Neto
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado aprovou nesta terça-feira (31) a convocação de importantes figuras públicas para prestar depoimento. Entre os chamados estão os ex-governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, além do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
As convocações ocorrem após os convocados não atenderem a convites anteriores, levando a CPI a expedir a convocação oficial. O objetivo é aprofundar as investigações sobre possíveis ligações entre o crime organizado, o sistema financeiro e o aparato estatal, buscando esclarecer pontos cruciais para o avanço dos trabalhos da comissão.
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), destacou a importância dos depoimentos para obter um panorama completo das operações financeiras e das estruturas que podem facilitar a atuação de grupos criminosos. As informações são essenciais para identificar gargalos e propor soluções efetivas no combate à lavagem de dinheiro e à infiltração criminosa no Estado, conforme apurado pelo g1.
Ibaneis Rocha convocado para explicar relações comerciais e aquisição do Banco Master
O senador Alessandro Vieira foi o autor do requerimento para convocar Ibaneis Rocha, argumentando que o depoimento do ex-governador do Distrito Federal é fundamental para que a CPI compreenda as relações comerciais entre o escritório de advocacia de Ibaneis e entidades sob investigação da Polícia Federal.
Vieira explicou que informações preliminares indicam que o escritório de advocacia de Ibaneis manteve contratos milionários com o Grupo Reag Investimentos e o Banco Master, ambos alvos de investigações. Além disso, foram identificadas transferências financeiras atípicas do Grupo J&F para o escritório.
O relator ressaltou ainda que, durante sua gestão no Distrito Federal, Ibaneis teria atuado pessoalmente para aprovar a aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). O Banco Master, de Daniel Vorcaro, já havia vendido ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos questionados.
Cláudio Castro chamado para detalhar cenário do crime organizado no Rio de Janeiro
No caso de Cláudio Castro, o senador Vieira afirmou que o depoimento do ex-governador fluminense oferecerá à CPI um panorama estratégico inestimável. O objetivo é investigar falhas e gargalos institucionais que dificultam o combate à lavagem de dinheiro e à asfixia financeira do crime organizado, além de analisar a capilaridade da infiltração de criminosos no aparato estatal.
Vieira descreveu o Rio de Janeiro como um “laboratório das mais sofisticadas dinâmicas do crime organizado no país”. Ele apontou uma “mutação alarmante” no cenário recente, com a formação de “narcomilícias”, resultado da simbiose entre facções ligadas ao narcotr áfico e grupos formados por agentes de segurança pública.
“É neste ponto nevrálgico que a oitiva do senhor Cláudio Castro, na condição de ex-governador do estado, revela-se não apenas pertinente, mas absolutamente indispensável para o avanço dos trabalhos desta Comissão”, sustentou o relator.
Roberto Campos Neto convocado novamente como testemunha qualificada
A CPI decidiu convocar Roberto Campos Neto, que presidiu o Banco Central entre 2019 e janeiro de 2025, após ele não comparecer a uma reunião anterior. O senador Alessandro Vieira propôs a reconvocação, explicando que a chamada não atribui responsabilidade a priori a Campos Neto, mas o convoca na condição de “testemunha qualificada”.
Vieira enfatizou que “os procedimentos, os instrumentos e as práticas institucionais do Banco Central podem contribuir de forma relevante para os trabalhos da comissão”. A expectativa é que o ex-presidente do BC possa esclarecer aspectos técnicos e institucionais relevantes para a investigação.
Quebras de sigilo e outras convocações aprovadas pela CPI
Além das convocações de Ibaneis Rocha, Cláudio Castro e Roberto Campos Neto, a CPI aprovou outros pedidos importantes para o andamento das investigações. Entre eles, está a convocação do ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central do Brasil, Renato Dias de Brito Gomes.
Os senadores também atenderam a novas exigências do Supremo Tribunal Federal (STF) ao aprovar pedidos de quebra de sigilo de pessoas físicas e jurídicas que já haviam sido analisados anteriormente. Essas medidas são consideradas cruciais para obter informações detalhadas e comprovar eventuais irregularidades investigadas pela comissão.


